quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Pássaro Azul


O Pássaro Azul

Do infinito
atravessou as trevas
rasgou nuvens
um pássaro azul
como nunca vi

Sobrevoou montes e vales
rodopiou três vezes
à minha volta
destemido e imaginário
pousou à minha frente

Parecia uma águia
de plumas azuis
Aumentou de tamanho
e pôs uma asa ao meu ombro
então escutei a voz dele

Obedeci e saltei para o dorso dele
como se fosse um cavalo alado
A princípio com medo
voámos pelas terras do nunca
cobertas de maravilhas

Voámos horas
pelo encanto dos Deuses
terras nunca vistas
perdidas no espaço
então desceu suavemente

Um local inesquecível
coberto de sonhos
em frente havia uma caverna
com um portal em ouro
Era uma autêntica magia

A porta abriu-se
e alguém me convidou a entrar
tinha uma luminosidade estranha
e ouviam-se cânticos celestiais

Uma dama toda vestida
com fato dourado e carmim
sorriu e abraçou-me
Fiquei perdido por ela
e o meu passado desapareceu

Nem sabia já donde viera
Meu fato automaticamente
resplandeceu
A atracção foi pura magia
e ali fiquei até à eternidade.

Pedro Valdoy

o passar do tempo


o passar do tempo

no cântico das horas
oscilam as sereias
no mar imenso
na doçura das ondas

no palco dos minutos
o arlequim inebriado
canta a melodia
do sarcasmo isolado

nas estepes dos segundos
soletram as crianças
a ingenuidade de um baloiço
no jardim coberto de lirismo

na tua vontade está
a singeleza do amor
perdido nas açucenas
no descalabro dos tempos.

pedro valdoy

O Palhaço


O Palhaço

A algazarra é grande
a miudagem ri  ri  ri
a alegria ronda aquele meio
em tempos inesquecíveis

O palhaço é um fartote
com seus enganos propositados
enche de satisfação
a garotada e os adultos

As tristezas fugiram
para o matagal
da crise esquecida
adormecida talvez

O espectáculo acabou
e o sorriso? Talvez
para aquele palhaço
recolhido no seu camarim

Lágrimas afloram
ao rosto do palhaço
no fim de cada espectáculo
morrera a sua irmã

Mas ri palhaço até um dia
em que o fracasso
da tristeza
te impossibilita de mais palhaçadas

De repente desaparece
por entre os arbustos da floresta
abandonara o espectáculo
o sorriso desapareceu nas trevas

Caminhou pelo desconhecido
no desespero atroz
aquela morte fora o fim
de uma carreira serena

Fatigado sentou-se numa pedra
estava exausto
nem o cantar de um rouxinol
o fez sorrir

Ali adormeceu
coberto de pesadelos
até Deus o chamar
e mais uma estrela brilhou.

Pedro Valdoy